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A Comissão Técnica da UNESCO comunicou ontem, dia 7 de novembro, a inscrição da Morna na lista representativa de Património Cultural Imaterial da Humanidade.

Após o estudo do dossier submetido em março de 2018, na sede da UNESCO, em Paris, pelo Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, a mesma considerou que a informação incluída no ficheiro de candidatura da Morna satisfaz todos os critérios exigidos pela Lista Representativa do Património Cultural da Humanidade:

A Morna como prática musical e coreográfica tradicional, com acompanhamento instrumental, que incorpora voz, música, poesia e dança, suportada por textos poéticos que podem ser improvisados, memorialistas ou escritos, cujos temas são o amor, a partida, a emigração, a separação, o reencontro, a saudade, o mar e a terra-mãe.

A Morna como marco social e cultural do arquipélago de Cabo Verde, manifestando a identidade dos habitantes, cuja memória histórica está conectada ao colonialismo e a falta de liberdade. O elemento musical é o resultado do desenvolvimento cultural conquistada através dos processos étnicos e sociais, ocorridos na área geográfica e reflete o potencial criativo dos seus praticantes.

A aprovação da Morna, segundo a Comissão da UNESCO, vai aumentar a consciencialização das pessoas sobre a importância da cultura cabo-verdiana e, especialmente, do crioulo cabo-verdiano, aumentando a autoestima e o orgulho da população das ilhas, em torno das suas diferentes expressões culturais. A coesão social será também reforçada, conduzindo ao desenvolvimento de novas formas de colaboração entre os grupos musicais, investigadores e instituições públicas e privadas.

A aprovação criará também novas oportunidades para a troca de conhecimentos entre gerações e as pessoas das diferentes regiões do arquipélago e da comunidade imigrante e demostrar, ainda, a diversidade cultural da música e da cultura do atlântico.

O esforço da comunidade e do Governo para a salvaguarda da Morna tem aumentado durante os anos. A proposta de salvaguarda é coerente e viável, enaltecendo a posição e o papel da Morna e as suas relações com o Governo local e as organizações não governamentais.

Está incluída toda a documentação da criação da plataforma organizacional e dos contactos para as atividades teóricas e práticas significantes para a transmissão deste elemento musical.

O processo da Morna iniciou em 2017 e foi liderada pela ativa participação dos portadores deste elemento, como os músicos e os outros elementos da comunidade.

Os atores foram informados dos princípios da Convenção através de uma série de workshops e debates, onde foi discutida a situação do elemento musical e desenvolvida para atingir as medidas de salvaguarda proposta. Em 2018, o Governo iniciou o Inventário Nacional do Património Imaterial e, no mesmo ano, a candidatura da Morna foi entregue à UNESCO.

Em dezembro de 2019, Colómbia será o palco de um encontro entre Cabo Verde e a história. Os cabo-verdianos sentirão reforçados aquele sentimento forte e genuíno que canta baixinho ao ouvido da alma: “N’ta xinti feliz de ter nascido cabo-verdiano”.

E, por agora, a UNESCO felicita o Estado pela sua primeira inscrição.

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